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Uma virada é pouco: Como São Paulo pode reinventar o Centro sem obras

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Mês passado foi realizada a famosa Virada Cultural de São Paulo. Foi impressionante constatar a mudança pelo qual o bairro foi submetido pela simples presença de pessoas na rua durante a noite. Caminhar por um Viaduto do Chá lotado, com iluminação e música de fundo revelou uma paisagem urbana bastante diferente, mas ainda assim estruturalmente igual a de sempre.

Verdade seja dita, nada mudou a não ser os cabos a mais e palcos instalados pelas ruas e ainda assim, tudo parecia primordialmente diferente. A conclusão que fica é que o Centro, tão triste e abandonado em sua vida cotidiana não precisa de revitalizações mirabolantes para renascer. Precisa de pessoas.

Apesar dos episódios de violência, infelizmente tão comuns em eventos dessa escala no Brasil, a Virada Cultural mostrou uma faceta diferente de São Paulo; uma cidade que demanda programas culturais ao ar livre e a qualquer hora. E que se sente mais segura quando tem mais gente ao redor.

Falta agora a prefeitura entender e expandir o conceito da virada cultural, realizando pequenos eventos no Centro, mas com o mesmo apelo. Não adianta reformar a praça ou o parque e deixá-los abandonados, esperando pela ocupação pública. É preciso convidar o cidadão que com o tempo tornará os passeios pela região um hábito. É necessário estimular a caminhada pelas ruas, remover os obstáculos, tornar a região convidativa para a população. Pequenas “Viradas” poderiam acontecer ao longo do ano ou mesmo espetáculos isolados ao ar livre que utilizem a estrutura do Centro, tão subutilizada após as 19 horas.

Porém não adianta esperar apenas a prefeitura agir, é preciso colaborar com qualquer ação, ou mesmo criá-la. Atividades iniciadas pela população como o ótimo Festival Baixo Centro, devem tornar-se corriqueiros, criando-se assim uma agenda pública. Se uma cooperativa de teatro se apresenta nesta semana, na seguinte pode ser a vez dos restaurantes da região organizar uma degustação (a exemplo do espetacular “chefes na rua”, realizado durante a virada). Tudo organizado especialmente a noite, estimulando o trânsito pedestre e despertando a sensação de segurança.

São Paulo já provou o seu ponto com a Virada, mas uma vez por ano não basta. É uma oportunidade única de revitalizar o centro, sem obras faraônicas que quase nunca apresentam resultados e quase sempre são apontados como agentes de exclusão social.