PortuguêsEnglish繁體中文EspañolFrançaisItalianoفارسیDeutsch

Como construir cidades mais saudáveis?

high-line-exemplo-de-modo-de-vida-saudavel-em-nova-york

A rápida urbanização e o gradual aumento do nível econômico dos brasileiros trouxe uma importante mudança no quadro da saúde urbana no nosso país. Hoje as doenças não transmissíveis (que incluem moléstias crônicas, como cânceres e doenças cardiovasculares) são responsáveis por 74% das mortes dos brasileiros. Muitas dessas enfermidades estão ligadas à obesidade, sedentarismo e diabetes – doenças causadas ou agravadas por um estilo de vida pouco ativo e por maus hábitos alimentares.

Dados do Ministério da Saúde mostram que 5,6% da população são diagnosticados com diabetes e em torno de 20% dos adultos sofrem de hipertensão. Além disso, 50% dos brasileiros estão acima do peso (Índice de Massa Corpórea – IMC – entre 25 e 30kg/m²) e 16% são considerados obesos (IMC>30km/m²). Entre as crianças, os índices já são alarmantes: em 2009, 16% dos meninos de 5 a 9 anos já eram obesos.

Como a cidade e a forma que vivemos nela entra nesta equação? De olho nesta pergunta, a entidadeCidade Ativa e o USP Cidades promoverão em abril o Fit Cities São Paulo, uma conferência que trata do tema da saúde e do estilo de vida em grandes metrópoles.

Com experiências bem sucedidas no exterior em cidades como Nova York e Londres, a conferência busca integrar as discussões em torno da qualidade do espaço urbano e seus usos: como fazemos os deslocamentos diários, onde e como moramos, onde passamos o tempo livre e os efeitos desse cotidiano na saúde dos cidadãos.

 

 

“Nossa genética não mudou em uma geração, mas o ambiente em que vivemos, sim”, explica José Eduardo Bittar, médico e um dos responsáveis pela vinda da conferência ao Brasil. Junto com profissionais que participaram das conferências anteriores, em outros países, ele tomou a iniciativa de criar o grupo Cidade Ativa, que tem o objetivo de promover projetos de qualificação do espaço público para contribuir para práticas mais saudáveis, como atividade física e mobilidade não motorizada.

Na visão do USP Cidades, o Fit Cities São Paulo é uma oportunidade de relacionar a saúde das pessoas que vivem em cidades ao estilo de vida urbano, que mesmo com tantas dificuldades oferece espaço para diferentes opções de interação com o meio construído. “A percepção da relação direta entre esses elementos é a ferramenta mais importante para a transformação de espaços inóspitos em lugares convidativos, que estimulem uma interação mais saudável do habitante com sua cidade” explica Maria Teresa Diniz, Coordenadora Executiva do USP Cidades.

O evento será realizado no Auditório da Biblioteca Brasiliana, na Cidade Universitária, em São Paulo, no dia 16 de abril e reunirá os principais atores ligados ao urbanismo e à saúde urbana, como o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), a Sociedade Brasileira de Atividade Física, a Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA) e organizações da sociedade civil, como o Mobilize Brasil.

A Universidade de São Paulo estará representada por professores doutores especialistas no tema, integrantes do Laboratório de Poluição Atmosférica da FMUSP, do Laboratório de Conforto Ambiental e Eficiência Energética (LABAUT) e do Laboratório Quadro de Paisagismo no Brasil (QUAPÁ), ambos da FAUUSP.

Sobre o Cidade Ativa

O  Cidade Ativa é uma iniciativa de longo prazo que promove o movimento “Active Design” nas cidades brasileiras, vislumbrando oportunidades de transformações no ambiente construído que possam incentivar um estilo de vida mais ativo para os seus cidadãos. É composto por uma equipe internacional e multidisciplinar com experiência nas áreas de saúde, arquitetura, desenho e planejamento urbano. Seus membros fizeram parte da história de criação do Active Design e já desenvolveram projetos para cidades ativas.

Sobre o USP Cidades

USP Cidades é um centro de pesquisa, formação e difusão de soluções inovadoras para a gestão urbana no Brasil. É um fórum permanente para interlocução de técnicos, gestores públicos e acadêmicos envolvidos com a temática urbana, a partir da pesquisa independente e de qualidade. O grupo busca incidir no debate público, transformando conhecimento em inovação na implementação de soluções urbanas, servindo como ponto de referência para a articulação entre a gestão pública, a pesquisa aplicada e o setor privado, para tratar dos principais desafios das cidades no país.

 

Este artigo foi originalmente publicado no site Mobilize