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Encontrando a liberdade em uma bairro caminhável

live slow

Este post também está disponível em: Inglês, Francês, Alemão

Este post é um trecho do novo livro Why I Walk: Taking a Step in the Right Direction (Por que eu ando: dando um passo na direção certa) por Kevin Klinkenberg

Desde o início da era do carro, carros foram comercializados para nós, como ingressos para a liberdade. Em nossos próprios carros, podemos escolher o nosso caminho individual e chegar ao nosso destino de forma rápida, sem entraves pela inconveniência/ falta de velocidade de caminhada ou transporte público. Não há nenhum ponto em negar a verdade do cenário – tudo sendo equivalente, entrar em um carro oferece extraordinária mobilidade. Em um carro, não só estamos não nos limitando a destinos acessível apenas a pé, de bicicleta, ônibus ou trem, mas os carros nos permitem escolher o nosso próprio caminho e definir a nossa própria programação.

O problema, no entanto, é que todas as coisas já não são equivalentes. A posse do carro começou a se tornar onipresente na década de 1950. Desde então eles revolucionaram as formas em que as nossas cidades são planejadas e construídas. Apanhados no fascínio da idade do carro que refez os nossos lugares, e construiu novos que servem para carros. Hoje muitas vezes esquecemos que antes da Segunda Guerra Mundial, todas as cidades na América foram construída para facilitar a caminhada e ciclismo. Na verdade, a idéia de viver em um lugar caminhável não é nada radical. O que foi radical foi o programa que se comprometeu a construir um novo tipo de vida humana. Nós construímos redes de estradas e auto-estradas como nenhuma outra sociedade nunca tinha visto antes. Destruimos bairros inteiros para acomodar estas estradas, bem como os estacionamentos e garagens exigidas pelos carros que iriam viajar nessas estradas; ao mesmo tempo, arrancamos as faixas de bondes e trens.

Como já nos enebriamos pelos carros e pela era moderna, esquecemos algumas coisas básicas sobre a natureza humana. Uma das nossas características centrais é que temos vontade de liberdade e escolhas. Escrever este livro em 2013 e olhando para trás várias décadas, é evidente que a nossa sociedade deu uma volta completa em termos de liberdade de mobilidade. O carro que uma vez nos deu liberdade da lotada e velha cidade, agora é um dispositivo que nos escraviza. Sim, eu quero dizer escravizados mesmo.


Como muitas pessoas da minha idade e mais novos, quando eu estava crescendo, utilizamos carros para nos locomover em todos os lugares. Eu mal tinha consciência de que havia alguma maneira de se viver que não fosse totalmente dependente de carro. Durante cerca de três gerações agora, os americanos têm crescido totalmente imersos na cultura do carro, sem conhecer alternativas – e isso é um problema.

O problema, em sua forma mais básica, é que nos tornamos dependentes dos carros. Enquanto os carros eram uma vez um bilhete para a liberdade, estamos reféns de deles. A maioria das nossas cidades e vilas são tais que precisamos de um carro para sobreviver. Precisamos de um carro para akimentação, para acessar uma moradia digna, à procura de emprego, para chegar ao nosso local de trabalho e para nos entreter. Se não temos um carro, ou não temos acesso a um, nos sentimos presos, até impotentes.

A maioria de nós estão muito familiarizados com esse sentimento. Para mim, um incidente na adolescência, em particular, se destaca. Como um jovem imprudente de 16 anos, eu dirigi meu velho Chevy Impala até o estacionamento de uma escola uma noite e dei cavalos-de-pau até que o motor morreu. Eu tive pedir ajuda aos meus pais, que ficaram muito bravos e tiraram minhas chaves por uma semana. Na época, parecia que uma sentença de morte social. Como eu poderia ter uma vida se eu não tenho o meu carro?

Talvez você possa se lembrar de um tempo em sua vida quando você não tinha um carro. Seu carro já quebrou sem que você pudesse se dar ao luxo de corrigi-lo imediatamente? Você já se machucou de forma que não pudesse dirigir? Você perdeu um emprego e não pôde comprar um carro?

É por todas estas razões e mais que eu amo andar e escolhi viver em um bairro tranquilo. Porque não sou dependente de meu carro, eu tenho mais liberdade de movimento do que o americano médio. Eu nunca estou preso na minha casa ou apartamento por causa de um problema do carro. Se o meu carro quebra, ainda posso caminhar, andar de bicicleta ou de transporte público muito facilmente para todos os lugares que preciso ir. Eu poderia até decidir não consertar o carro por um tempo, uma vez que raramente preciso dele com urgência. Como alguém que cresceu em ambientes bastante típicos do subúrbio, é difícil descrever o quão empoderado me sinto com essa liberdade.

Todas as imagens tiradas do livro “Why I walk” (Porque eu ando)