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O melhor e o pior da polêmica nova ciclofaixa de Londres

bgbike

Este post também está disponível em: Inglês

Tem muita coisa que eu gostaria de fazer se fosse o prefeito de Londres. Além de investir em ciclorrotas troncais leste-oeste e norte-sul, eu tornaria obrigatório providenciar infraestrutura para pedestres e ciclistas sempre que uma via fosse reformulada. Ao fornecer rotas completamente desenvolvidas e garantir a infraestrutura futura, Londres teria uma melhor rede de ciclovias e continuaria a expandi-la com o tempo (não, eu não tenho planos de concorrer ao cargo).

 

Eu estava, portanto, interessado em ver o trabalho começar na ciclofaixa de Bethnal Green alguns meses atrás Essas faixas estão localizadas de cada lado da rua e são muito curtas. Estaria o distrito de Tower Hamlets (onde vivo) adotando uma abordagem quebra-cabeças com um pouco de infraestrutura por vez, me pergunto?

 

Quando as ciclofaixas foram inauguradas minhas ideias tomaram um rumo diferente. Existem alguns problemas de design, de fato, com as ciclofaixas, como foi reportado pela blogosfera e mídia tradicional. Porém elas não são tão ruins. Eu decidi fazer um passeio pelas novas pistas e compartilhar o melhor e o pior com os leitores do This Big City.

 

 

Conforme se vai de Leste a Oeste, na direção do Centro, somos saudados por uma ciclovia que aparece da rua em uma curva. Há um poste pequeno logo antes da faixa para garantir que carros não estacionem em cima da via. O poste é um pouco perto demais e torna a curva desconfortável, mas é uma entrada aceitável. Note que existe um canteiro de plantas à direita da ciclovia logo após seu início.

 

 

Infelizmente, a proteção das plantas não dura muito e a ciclovia logo se encontra no nível das portas dos carros. Qualquer motorista ou passageiro abrindo a porta sem olhar torna-se um risco. Por outro lado o pavimento é bastante largo, o que significa que pedestres não precisam usar o espaço reservado para bicicletas.

 

 

A pista logo chega ao fim e as bicicletas são ejetadas para a rua. Novos canteiros de plantas deixam claro para os carros ver que bicicletas se aproximam e dão a oportunidade de parar mantendo uma certa distância. Essa é uma maneira relativamente segura de gerenciar a saída.

 

 

Vamos inverter o trajeto e viajar no sentido Oeste-Leste, para longe do Centro. A primeira coisa óbvia é que a ciclovia é um espelho do sentido Leste-Oeste. No lugar de entrar na ciclovia por uma curva, você chega nela pela rua, numa linha reta. Muito mais fácil para a orientação.

 

 

Infelizmente, a situação vai ladeira a baixo rapidamente, e não, não estou sendo literal. O pavimento é mais estreito deste lado e a ciclovia tem obstáculos nele. Na foto acima dá pra ver um parquímetro logo ao lado. Ele ficava no meio da via, indicado pelo quadrado na faixa segregada. Não foi surpresa nenhuma que ele tenha sido tão ridicularizado a ponto de ser removido. O poste de luz, porém, ainda está lá. Vejamos se ele também será movido.

 

 

Ainda que todo o equipamento urbano seja removido, o problema de espaço não será solucionado. A calçada é muito estreita deste lado o que fará com que os pedestres utilizem o espaço reservado para as bikes. Eu já andei por esse caminho várias vezes e em todas, compartilhei o espaço com pedestres.

 

Outro problema aparece no ponto de saída da ciclovia. Como o caminho é um espelho da mão contrária, os ciclistas devem sair da ciclovia pela curva da calçada. Literalmente te expele na rua, na pista onde está o tráfego de carros. É perigoso e intimidador.

 

No sentido Oeste-Leste, temos uma infraestrutura aceitável, no entanto, no sentido Leste-Oeste a via é uma perigosa adição às ruas de Bethnal Green. Mais ainda, ao adicionar faixas para bicicletas e manter vagas de estacionamento dos dois lados, a rua se torna mais estreita e perigosa para ciclistas.

 

O compromisso com a infraestrutura ciclística deve ser aplaudida, mas só se o padrão de design for bom o suficiente.

 

Imagem do topo via loop_oh. Outras imagens via Joe Peach